16/12/2019 18:46:00

O Verdadeiro Tradicionalismo através do exemplo que vem de Nova Xavantina

 

Durante um longo tempo buscando descobrir referências no tradicionalismo, tentando ler atas, acompanhar discursos e reflexões, usufruindo desse intercâmbio que a tecnologia nos permite; uma frase dita por um líder foi destacada várias vezes e me chamou a atenção: “o verdadeiro tradicionalismo”. O que seria isso, logo pensei...


De início cheguei a pensar que isso poderia ser uma espécie de fórmula ou padrão que as pessoas deveriam se adequar pra atingirem este ‘patamar’ ora estabelecido. Cheguei a assistir uma convenção tradicionalista onde um outro senhor para sustentar seu pensamento e descreditar a tese contrária ao seu discurso ousou o ‘parâmetro’ ‘tu é menos tradicionalista que eu!’, ou seja naquele momento, aquele senhor sentia que tinha mais méritos que o outro e por isso detinha do ‘verdadeiro tradicionalismo’, como se estivesse discutindo um relacionamento de namoro recente “eu amo mais”, “eu amo bem mais que você ”. Lamentável.

Um dia até brinquei nas redes sociais: “vamos criar um medidor de tradicionalismo”. Aquilo havia me intrigado e chegou até repercutir.

Com a vivência e observando sempre as referências, hoje lamento em ter descoberto que em muitos, inclusive aqueles que se auto-entitulam 'verdadeiros tradicionalistas' existem uma lacuna muito grande entre aquilo que se fala e se prega nos discursos e os atos propriamente praticados. Descobri também que algumas pessoas são contaminadas pelas palavras com tanta facilidade a ponto de perderem a visão da realidade que lhes é apresentada. Descobri também que com o passar do tempo algumas lideranças, deixam de ser lideranças e se transformam em meros ditadores daquilo que acreditam ser a verdade absoluta não se importando mais com o contexto, com as pessoas em sua volta. É como dizia um dia um ex-presidente do MTG do Mato Grosso, muito respeitado por sinal: “O poder lhe subiu para a cabeça”. E assim vai, buscando ditar regras como o 'autêntico' tradicionalista. 

Certamente por aí você também já deve ter visto aquele dizer "Eu, ninguém ensina a ser Patrão", talvez não nestas palavras, mas nos gestos sim. Frase de um livro famoso do Tradicionalista Fraga Cirne, mas fato comúm que se ve repetindo muito por aí. 

Hoje, uma segunda-feira (16/12) tive a oportunidade de ver um exemplo possível “verdadeiro tradicionalismo” analisado por mim após observações, lá de uma cidade do Vale do Araguaia, da cidade de Nova Xavantina.

E é em Nova Xavatina, há 650 quilômetros da capital Cuiabá, localizada na região do Vale do Araguaia, que Prendas e Peões do CTG Centro Oeste Pampeano, praticam aquilo que é de mais importante na tradição gaúcha: o seguimento da Carta de Princípios. O CTG da cidade de aproximadamente 21 mil habitantes, foi fundado no dia 23 de setembro de 1983 e segue hoje formando a juventude para dar continuidade aos principios e valores dos seus antepassados. 

No último final de semana a entidade promoveu uma ação com a distribuição de presentes para crianças do município. Não era uma cerimônia de posse de Patronagem, não era uma reunião oficial e nem palestra cultural, mas se tornou um ato tanto quanto importante pela essência e o exemplo real ou subliminar(dependendo do seu posto) ali transmitido: Pessoas orgulhosamente pilchadas (não estava calor e nem desconfortável), realizando um ato solidário conforme a carta de princípios, de um CTG pequeno(diga-se de passagem), elevando a entidade e valorizando pessoas, demonstrando através do exemplo a função social de um CTG, fazendo com que a sociedade compreenda também o porque vale a pena investir na entidade, o porque vale a pena fazer parte de um CTG, no Mato Grosso.

Uma entidade que além de formar laçadores, dançarinos, declamadores; forma seres humanos para a vida, lideranças que compreenderão a sociedade tal qual ela é formada, crianças que desde de sua infância, aprendem no convívio deste valores, respeitar as diferenças e que lá na frente saberão conduzir o Movimento para os próximos anos. Eu me orgulho sempre em ver essas sementes de ‘verdadeiro tradicionalismo’, do verdadeiro sentimento que o tradicionalismo nos proporciona, isso me faz acreditar no futuro.

Por João Malinski Junior, Diretor de Comunicação Social do MTGMT

Fotos: Cris Sokolowski

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